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Célula-tronco
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Hwang
Mi-Soon, 37, estava confinada a uma cama. No
início de novembro, seus olhos brilhavam de
lágrimas enquanto voltava a caminhar com a
ajuda de um andador.
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Inserida
em: 16/12/2004
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SEUL
(AFP) - Após 20 anos sem poder se mover,
uma sul-coreana voltou a andar, afirmam os
cientistas responsáveis pela reconstituição
de sua coluna vertebral. Eles utilizaram células-tronco
derivadas de sangue coletado de cordão
umbilical.
Desde o acidente que danificou-lhe a
espinha duas décadas atrás, Hwang
Mi-Soon, 37, estava confinada a uma cama.
Semana passada, seus olhos brilhavam de lágrimas
enquanto voltava a caminhar com a ajuda de
um andador.
Durante uma coletiva para a imprensa,
pesquisadores da Coréia do Sul levaram
pela primeira vez a público os resultados
de sua terapia de células-tronco. Segundo
eles, trata-se do primeiro caso divulgado
no mundo em que um paciente com danos na
espinha dorsal obtém êxito em um
tratamento com células-tronco retiradas
de sangue do cordão umbilical.
Embora tenham alertado sobre a necessidade
de mais exames e solicitado a verificação
de especialistas internacionais, os
pesquisadores sul-coreanos disseram que o
caso de Hwang pode significar um grande
avanço no tratamento de danos à coluna
vertebral.
A utilização de células-tronco
derivadas de sangue coletado de cordão
umbilical pode também indicar um modo de
contornar um tema controverso: o debate ético
sobre o uso de embriões na pesquisa de células-tronco.
"Vislumbramos um fio de esperança no
horizonte," diz Song Chang-Hoon,
membro da equipe de pesquisadores e
professor da Universidade de Medicina de
Chosun, na cidade de Kwangju. "Todos
ficamos surpresos com o progresso rápido
da paciente".
Durante a coletiva para a imprensa e sob
as luzes das equipes de TV e dos flashes
das câmeras, Hwang ergueu-se de sua
cadeira de rodas. Com a ajuda de seu
andador, deu alguns passos para frente e
para trás, arrastando os pés.
"Pra mim, isto já é um
milagre," diz ela. "Jamais
imaginei que pudesse ficar em pé
novamente."
A pesquisa médica tem mostrado que as células-tronco
podem formar células substitutas para órgãos
ou partes do corpo danificados. Libertar
esse potencial significaria a solução de
doenças atualmente incuráveis. Também
seria possível a regeneração de novos
órgãos por parte do organismo, em
substituição àqueles danificados ou
prejudicados.
As assim chamadas células-tronco
"polivalentes" - encontradas no
sangue do cordão umbilical - podem formar
um número limitado de tipos de células
especializadas, o que não ocorre com as células
"não-diferenciadas" derivadas
de embriões, que são mais versáteis. No
entanto, essas células-tronco isoladas do
sangue do cordão umbilical surgiram como
alternativa ética e segura às células-tronco
embrionárias.
Acredita-se que os testes clínicos com células-tronco
embrionárias ainda demorem alguns anos,
por causa dos riscos e dos problemas éticos
envolvidos na produção de embriões (que
certas pessoas consideram humanos vivos)
para uso científico.
Por outro lado, segundo os pesquisadores,
não há questões éticas quando se
trabalha com células-tronco obtidas de
sangue do cordão umbilical. Além disso,
essas células-tronco apresentam pouca reação
imunológica por parte dos pacientes; já
as embrionárias tendem a causar tumores
quando injetadas em animais ou humanos.
No caso da terapia dos sul-coreanos, foram
isoladas células-tronco polivalentes de
sangue do cordão umbilical, imediatamente
congelado após o parto e mantido numa
cultura durante um certo período. Em
seguida, essas células foram injetadas
diretamente na parte danificada da coluna
vertebral.
"As dificuldades técnicas residem na
separação das células-tronco do sangue
do cordão umbilical congelado, descobrir
as células com genes que correspondam aos
do paciente e selecionar o local correto
do corpo para introduzi-las", afirma
Han Hoon, presidente do Histostem, um
banco de sangue do cordão umbilical que
funciona com o apoio do governo de Seul.
Han uniu-se ao professor Song e a outros
especialistas para realizar a experiência.
Eles dizem ser necessários mais
experimentos para verificar o resultado
dessa terapia revolucionária.
"É apenas um caso e nós precisamos
de mais experiências e dados", diz
Oh Il-Hoon, outro pesquisador. "Creio
que especialistas em outros países
estejam conduzindo experimentos similares
e acumulando dados antes de tornar públicos
seus resultados."
Fonte: PPP - http://www.projetoproximopasso.org.br/index.htm
- Quarta-feira, 01 de Novembro de 2004
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