A Câmara dos
Deputados aprovou nesta quarta-feira (02/03) a pesquisa científica
com células-tronco embrionárias, desde que obtidas em
fertilização in vitro e congeladas há mais de três anos,
exatamente como fez o Senado no final do ano passado.
A votação fazia parte dos destaques apresentados ao texto básico
da Lei de Biossegurança, que, entre outras coisas, permite a
produção e a comercialização de produtos geneticamente
modificados.
Continua proibida a produção de embriões para pesquisa por
meio da clonagem terapêutica.
A pesquisa com células-tronco foi aprovada por 366 votos
favoráveis, 59 contrários e três abstenções.
A votação foi acompanhada por integrantes da Associação
Brasileira de Distrofia Muscular e do Movitae (Movimento em
Prol da Vida) que defendia a matéria e viram na aprovação
do texto uma chance de cura para suas doenças.
No plenário, estavam familiares e crianças em cadeiras de
rodas, que sofrem de distrofia muscular-- doença que se
caracteriza pela degeneração progressiva do tecido muscular.
Também acompanhou a votação o médico Drauzio Varella,
autor de "Carandiru".
Com a aprovação, o texto segue para sanção do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
A pesquisa é considerada pelos médicos como fundamental para
pesquisas de tratamento de doenças como o diabetes, o mal de
Parkinson e Alzheimer.
"Nós temos competência reconhecida nas universidades,
que têm de ser apoiadas por essa lei", afirmou antes da
votação o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.
"Essas pesquisas vão atender a 5 milhões de brasileiros
[contingente que pode ser beneficiado pelas pesquisas]",
afirmou.
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Manifestantes
a favor da lei comemoram
sua aprovação cantando o Hino Nacional
Foto: Alan Marques/Folha Imagem
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Entenda a polêmica sobre as pesquisas com células-tronco
embrionárias. Clique
aqui para ler matéria da revista Sentidos 23
Entenda o que é a Lei de Biossegurança
A Lei de Biossegurança tenta regulamentar duas polêmicas de
uma só vez --a produção e comercialização de organismos
geneticamente modificados e a pesquisa com células-tronco.
Os transgênicos são aqueles produtos acrescidos de um novo
gene ou fragmento de DNA para que desenvolva uma característica
em particular, como mudanças do valor nutricional ou resistência
a pragas.
A polêmica em torno do plantio e da comercialização dos
transgênicos passa pelos campos econômico, social e
ambiental. Os defensores dos OGM argumentam que a
biotecnologia aumentaria a produção de alimentos, o que, por
sua vez, reduziria a quantidade de brasileiros vítimas da
fome.
No outro lado, estão os críticos dos transgênicos.
Ambientalistas e algumas organizações de cientistas
argumentam que seus efeitos na saúde humana e no meio
ambiente ainda são desconhecido.
O texto da lei define que a CTNBio (Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança) deve analisar tecnicamente o
pedido para o plantio dos transgênicos. E um conselho de 11
ministros, por fim, vai analisar se permite ou não a
comercialização desses produtos.
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O
QUE OS CIENTISTAS QUEREM
REPRODUZIR COM CÉLULAS-TRONCO
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Células-tronco
A outra polêmica refere-se às pesquisas científicas com células-tronco.
Essas células são como curingas, ou seja, células neutras
que ainda não possuem características que as diferenciem
como uma célula da pele ou do músculo, por exemplo, e que
podem ser usadas para gerar um outro órgão.
Hoje, as pesquisas no país se restringem às células da
medula óssea e do cordão umbilical. Mas essas células
originam apenas alguns tecidos do corpo.
A lei, aprovada pelo Senado, permite a pesquisa em células-tronco
de embriões obtidos por fertilização in vitro e congelados
há mais de três anos. Mas, para que o estudo seja feito, os
pais devem autorizar a pesquisa expressamente.
Atualmente, esses embriões, ao completarem quatro anos de
congelamento, são descartados. Essas células, ao contrário
das provenientes da medula e do cordão umbilical, se mostram
mais eficazes para formar qualquer tecido do corpo.
Fonte: Folha Online, em Brasília, 02/03/2005 - 22h32