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A ACADEF entrevistou o técnico de basquete ALBERTO BIAL.

Num bate papo descontraído com Débora e Cíntia, o "Meu Rei" como é tratado carinhosamente por Cíntia, falou entre outras coisas, de sua experiência como comentarista do basquete paraolímpico no SPORTV, junto com nosso presidente Raniero Bassi, confira tudo abaixo: Clique nas fotos para ampliar 

 

Entrevista inserida em: 28/10/2004

Local: CIAD

Por: Débora e Cíntia

Fotos: Débora Pedroso

Como você vê o basquete adaptado hoje no Rio de Janeiro ? 

A minha referência do basquete adaptado é o trabalho da ACADEF, que me impressionou muito favoravelmente, primeiro pelas condições estruturais, quadra com vestiário adaptado, com  3 treinamentos semanais e a forma abnegada de Raniero como impulsionador dos projetos e treinamentos. E o que eu mais gostei foi da qualidade e perseverança dos atletas(masculino e feminino).

O que mudou na sua vida em relação aos portadores de deficiência depois das Paraolímpiadas de Atenas ?

Na minha vida em particular, a mudança foi muito grande, a minha forma de me relacionar, de entender e me envolver com as pessoas portadoras de deficiência foi muito importante não só para meu desenvolvimento pessoal, como pelo lado espiritual,

 

abriu-me um vasto campo de aperfeiçoamento, pois com certeza eu tinha barreiras e dificuldades maiores de entender o que acontecia, assim como aconteceu comigo que me despi de um preconceito, milhares de pessoas talvez até sem perceber ou não terem humildade para reconhecer podem mudar e perceber que todos somos realmente muito parecidos.

O que achou da sua experiência em comentar pela 1ª vez, o basquete paraolímpico no SportTV ?

Posso dizer que foi um momento na minha vida de antes e depois, porque tive que aprofundar-me e ganhar mais conhecimento nesta área, e o comentário propriamente dito foi muito prazeroso, pois comentar competições esportivas é sempre muito gratificante, e esta por ser paraolímpica foi mais excitante ainda.

Você viu muita diferença entre o basquete convencional e o basquete adaptado ?

A grande diferença do basquetebol convencional e o basquetebol adaptado, está nos equipamentos pois o objetivo do jogo: fazer cestas, impedir o adversário de fazer cestas e vencer, são exatamente os mesmos. Realmente no basquete adaptado, os equipamentos(cadeiras de rodas), são de fundamental importância e a adaptação à eles passa a ser mais um fundamento para o jogo.

Fale um pouco sobre as dificuldades que os clubes estão enfrentando no basquete convencional aqui no Rio...você teria uma solução?

O grande problema dos clubes tradicionais foram as más administrações em seqüência e a difícil adaptação a nova política com a vinda da Lei Pelé estes mesmos clubes foram por

décadas os principais formadores de atletas olímpicos e necessitam neste momento de se adequar as novas diretrizes e o principal: de incentivos dos mais variados tipos. A solução neste primeiro momento é a parceria com grandes empresas que possam veícular seus produtos nas camisas centenárias destas agremiações. 

Comente sua participação nos treinamentos com o time feminino da ACADEF.

Minha participação foi muito pouco até o momento, mas acho que no dia em que comandei um treinamento, já deixei no ar minha filosofia de trabalho junto ao basquetebol.

E você acredita que exista nível técnico no Brasil para a formação da Seleção Brasileira Permanente Feminina ?

Não só acredito no potencial das mulheres nesta modalidade como tenho informações precisas que existem vários núcleos por todo nosso país com atletas que podem formar uma seleção com chances de representar o Brasil no Parapan de forma a classificar nossa seleção para a Paraolímpiada de

 Pequim. Para que isso aconteça, temos a idéia (eu e Rani) de formatar um pequeno Seminário com representantes da CBBC, os principais técnicos dos times femininos para desde já (nov/dez/2004) possamos tornar realidade a Seleção Brasileira Permanente Feminina.

O que você acha da falta de respeito às Leis para portadores de deficiência? Um exemplo comum são as vagas de estacionamento que são ocupadas por pessoas não portadoras de deficiência...

Mais que um desrespeito o que me incomoda é a falta total de educação de uma população de classe  social alta que deveria ser mais esclarecida, me faz lembrar os avisos num país desenvolvido

como a Alemanha onde aparece a vaga de estacionamento com aviso para uso de deficientes e logo a seguir de uma forma irônica a placa diz: para pessoas sem caráter ou que não tenham senso de convívio social. Achei fantástico e acho que poderiam fazer o mesmo no Brasil inteiro, pois o que existe hoje é muito sútil e não chega a ser suficiente para os mal-educados. 

Quais os planos para o Técnico Alberto Bial ?

Nesse momento no qual pela primeira vez em minha carreira de 33 anos ininterruptos fico quatro meses sem o dia-a-dia de planejar treinos, executá-los e principalmente sem os jogos, nesse interim tornei-me comentarista de TV, palestrante para algumas Universidades e organizador de um projeto de iniciação esportiva para portadores e não portadores de deficiência.

Agradeço a providência poder neste curto espaço conseguir me sentir útil e jogando para escanteio a tristeza de não estar fazendo aquilo que mais gosto. Nesse tempo tiveram algumas propostas interessantes e não foram à frente por problemas intrínsicos ao esporte brasileiro. 

Na vida, como vocês bem me ensinaram Cíntia e Débora, o indíviduo deve se adaptar aquilo que Deus lhe propõe, breve estarei fazendo o que mais gosto com a vantagem de estar mais sereno, mais aprofundado no próprio basquetebol e na vida.

Deixe algumas palavras para os atletas cadeirantes.

"O atleta cadeirante como qualquer atleta deve respeitar princípios básicos como: a disciplina, a solidariedade, a garra e principalmente o amor pelo esporte".  

Alberto Bial


Depois desta entrevista gostosa e algumas horas agradáveis conversando sobre basquete, encerramos a nossa entrevista com a visita da Presidente da Funlar Drª Lêda e do Administrador do CIAD Pedro Ferrer. 

A ACADEF aproveita para agradecer o espaço(quadra) que a Acadef utiliza dentro do CIAD, onde realiza seus treinamentos sendo isso possível graças ao aval da Drª Leda e a eterna colaboração de Pedro Ferrer, carinhosamente conhecido como Pedrinho no meio do basquete.

Bial e Drª Lêda Pedrinho e Bial Cíntia com seu "Rei" Débora e Bial

Aberto Bial deixa seu e-mail para contatos: albertobial@hotmail.com

                                                             ©(Atualizações): Débora Pedroso  
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